A modernidade
 

Caros amigos

             Estamos no número 3. E esse eu decidi escrever logo, porque achava que aquela segunda coluna estava muito técnica. Muito Fórmula 1 demais para quem não conhecia. Mas para minha surpresa, ouvi muita gente (na verdade quem falou foram os meus 4 leitores...hehehehe) falando que está sabendo mais da F1 por minha causa. Pô , eu só quis ajudar. Falando sério, quero mais uma vez agradecer pelos emails de incentivo.

            Eu disse anteriormente que havia falado de futebol e fórmula 1 e que para completar as minhas paixões, faltava falar de mulher. E recebi alguns emails dizendo: “Puxa Nando... você só fala de esportes, fala de mulher também!!!” E como quem me disse essa frase foi uma garota... Bom, agora eu vou falar de mulher então... quer dizer... leiam a coluna.

            Fui no cinema outro dia ver A Partilha. O filme é muito legal. Eu ri pacas. (Pô... ta aí uma idéia maneira: crítica de filmes) Mas, para minha surpresa, não é que no meio das quatro irmãs, a personagem da Paloma Duarte é sapatão. É... isso mesmo... sapatão, lésbica, fanxa, cola-velcro, etc. Calma pessoal. Não vou xingar não. E nem poderia. Logo eu, um professor com Ph D em Lesbiquismo. Eu aprendi muita coisa com as lésbicas.

            Uma coisa que eu desisti completamente foi entender a cabeça das lésbicas. Se eu já havia desistido definitivamente de entender os homens e as mulheres heteros como eu, elas então, que além de terem os problemas que eu tenho, também têm que se entender com os problemas do preconceito que a sociedade tem. Mas é tão chato quando uma lésbica começa a usar esse preconceito da sociedade como desculpa para tudo!!! Aliás, a cena mais patética é quando uma lésbica começa a namorar um amigo gay só para “enganar” a sociedade. O quê?? Eu já ouvi isso... e com essas mesmas palavras. Eu sei que é difícil assumir, mas precisa mentir e viver de farsa? Vai entender, né... (esse caso também pode ser usado pros gays homens também. Mas o caso aqui é feminino! hehehe)

            Tem o outro lado também: a Invasão das Lésbicas na Cultura, o que eu carinhosamente chamo de A Lesbicalização da Cultura de Massa. Principalmente na música. Tava lendo uma matéria na Isto É, com uma foto enorme da Adriana Calcanhotto ou Ana Carolina ou Cássia Eller... não lembro quem, falando nisso. Não fui eu quem disse. Foi a revista. Dizia que elas estão dominando a MPB. Então, eu viro e pergunto: Digam-me o nome de 5 cantoras da MPB que vocês coloquem a mão no fogo. Eu não coloco a mão no fogo por ninguém... mas pensando dessa forma. Fica difícil fechar as 5. Outro dia, numa mesa de bar, eu e mais um grupo de amigos ficamos bem uns 20 minutos pensando e pensando... e acho que não conseguimos passar das 5. Vamos. Arrisquem também.

            Resolvi então colocar esta historinha que está rodando pela internet, como uma crônica do Luiz Fernando Veríssimo. Pior é que um dia as coisas vão acabar ficando assim mesmo. Às vezes eu penso que sou um cara retrógrado demais... hehehehe         

 

Um texto sobre um pouco da sexualidade moderna:

- Mãe, vou casar.

- Jura, meu filho?! Estou tão feliz ! Quem é a moça?

- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

- Você falou Murilo... ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

- Nada, não... Só minha visão que esta um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.

- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora...Ou isso ...

- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea.

- E quando eu vou conhecer o meu... a minha... o Murilo?

- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

- Tá! Biscoito... Já gostei dele. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

- Por que?

- Por nada. Só prá poder desacordar seu pai com antecedência.

- Você acha que o papai não vai aceitar?

- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei ... se ele vai sobreviver ... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com bigode...

- Mãe, que besteira ... hoje em dia ... praticamente todos os meus amigos são gays.

- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... prá poder apresentar prá tua irmã.

- A Bel já tá namorando.

- A Isabel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

- Uma tal de Veruska.

- Como?

- Veruska...

- Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

- Mãe!...

- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

- Quando ele era hetero. A Veruska.

- Que Veruska?

- Namorada da Bel...

- Peraí. A ex-namorada do teu atual namorado... é a atual namorada da tua irmã... que é minha filha também... que se chama Isabel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

- É isso. Pois é... a Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.

- De quem?

- Da Bel, ué!!!

- Logo da tua irmã!!!??? Quer dizer então... que a Isabel vai gerar um filho teu do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska?!?...

- Isso.

- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Isabel.

- Em termos...

- A criança vai ter dois pais : você e o Biscoito. E duas mães: a Veruska e a Bel... ou será o contrário!!!??? Ai...

- Por aí...

- Por outro lado, sua irmã..., além de mãe, é tia... ou tio... porque é tua irmã.

- Exato. Ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Isabel. E o ventre da Veruska.

- Exato.

- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

- Entendeu o quê?

- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

- Que swing, mãe?!!...

- É swing, sim ! Uma troca de casais... com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

- Mas...

- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... com incesto no meio.

- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

- Sei... E quando elas quiserem ter filhos...

- Nós ajudamos.

- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...

- Que...?

- Fazer árvore genealógica daqui prá frente... vai ser uma meeerrrdaaa!

 

            Bom, se um dia eu entender isso tudo, juro que escrevo uma coluna, ou melhor, uma espinha explicando para vocês, ok?? E antes que vocês achem alguma coisa, apesar de tudo, eu não tenho raiva das meninas que gostam de outras meninas. Não é por causa de uma menina que eu vou ficar magoado com todas as outras. Tá certo que de vez em quando eu me pego perguntando por que isso... hehehe Mas mulher é muito bom mesmo, né. Aí entendo porque as meninas viram lésbicas (mas a minha virar é sacanagem! hehehehe) E ainda me dizem: “Ah... Nando. O Sonho de todos os caras é transar com duas mulheres!!!!” Todos não... 99,9%. Eu nunca tive esse sonho. Minha mulher é minha e de mais ninguém!!

             Até a próxima.